Nesta época considerada pós-ideológica e pós-utópica, a radicalidade se tornou execrável. Somos continuamente alertados acerca da importância do diálogo e insistentemente instados a dialogar. Uma recusa ao diálogo é considerada uma posição radical e, no mínimo, um indício de uma possível tendência à violência. Se dialogarmos, dialogarmos, dialogarmos, todos os nossos problemas serão resolvidos.
Quem é acusado de se recusar ao diálogo e condenado como radical pode não ter tido suas motivações compreendidas, talvez nem sequer tenha havido uma tentativa de compreendê-las, ou então é acusado de não dialogar como uma tática de desautorização de sua fala e de deslegitimação de sua posição, sendo representado, consequentemente, como intransigente e autoritário. Com frequência, essa tática é eficazmente utilizada contra grupos minoritários e movimentos sociais. Não obstante, há também a possibilidade de que um indivíduo ou um grupo deliberadamente se recuse ao diálogo. Antes de tudo, é preciso entender as razões pelas quais ocorre uma recusa, na medida em que pode se revestir de duas formas: (1) a recusa que interdita o diálogo e (2) a recusa como protesto pela impossibilidade de se dialogar, como denúncia contra um falso diálogo, porque os participantes não se encontram em condições isonômicas de dialogismo; porque uma das partes, por causa do poder que possui, consegue assegurar sua permanência no diálogo, muito embora não respeite as regras instituídas que devem ser observadas por todos os participantes; ou porque uma das partes não está efetivamente dialogando, apenas fingindo dialogar, caso do atual governo federal, que finge dialogar com grupos minoritários e movimentos sociais. Nesses cenários, impõe-se as perguntas: é possível dialogar? como dialogar? para que tentar dialogar? vale à pena tentar dialogar?
Em decorrência de processos em curso e de acontecimentos recentes na sociedade brasileira, podemos perguntar: é possível dialogar com os militares da reserva que se insurgem contra a autoridade do ministro da Defesa, reprovam a (insatisfatória) Comissão da Verdade e defendem o regime ditatorial? é possível para os povos da floresta Amazônica dialogar com o governo federal, que, dominado pela ideologia desenvolvimentista, prossegue com o projeto de ecocídio do bioma amazônico? como acredita Vange Leonel, é possível para gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais dialogar com o governo federal, que reiteradamente demonstrou não estar preocupado com as necessidades e os direitos da população glbt?
Todavia, não se deve radicalizar, nos advertem. Aparentemente, há aqueles que preferem monologar com quem se conserva em estado de surdez, recusando-se a ouvi-los. A recusa a se ouvir o outro consiste em uma recusa a se reconhecer o outro – em sua existência, em sua dignidade, em seus direitos. Essa atitude não-dialógica difere daquela de quem se retira do diálogo por ser impossível dialogar; essa é a recusa ao diálogo que deve ser denunciada e condenada; essa é uma posição radical (intransigente, autoritária), cuja radicalidade, entretanto, tende a não ser reconhecida. Quem, atualmente, é mais radical do que os militares defensores da ditadura, os empreendedores do agronegócio, os cristãos fundamentalistas?
Em determinadas circunstâncias, a radicalidade não é uma opção, mas uma imposição. A recusa ao diálogo, contudo, não significa necessariamente recusa a todo diálogo – tampouco uma opção pela violência –, mas uma recusa a dialogar, quando não há possibilidade de diálogo, com um indivíduo, um grupo, uma instituição.
Julgo desnecessário acumular exemplos da inaptidão do governo Dilma Rousseff para o diálogo. Encerro com apenas um, o qual, para mim, compreende uma questão fundamental: em um momento em que a continuidade da vida e a existência da humanidade estão ameaçadas, devido à profundidade e à extensão da destruição ambiental, me parece que nos resta somente a ação radical contra o governo federal, para o qual o meio-ambiente e os direitos socioambientais são absolutamente irrelevantes – e que, portanto, ao fingir dialogar, na prática se recusa a dialogar.
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20/03/2012 at 08:47
Quanto mais tentam se afastar politicamente dos radicais, mais se fixam na superfície, no meio, bem no ~extremo centro~. Alguns lidam bem com isso. Outros preferem achar que nós, os radicais, abandonamos a esquerda e nos tornamos fundamentalistas violentos, como se estivéssemos armados pela expropriação do sistema financeiro. Se o objetivo é se livrar da culpa, ou alimentar o próprio fetiche por uma esquerda mítica, a consequência é a interdição do debate. “Não falo com você, você não quer dialogar, é agressivo”. Dizem isso sem pudor, como se não tivessem o segredo do cofre, as armas, a caneta e as tribunas oficiais.
Pingback: Vange Leonel ou A Arte de Cobrar da Vítima o Que Deveria Ser Cobrado do Opressor « EXCESSO DE INFORMAÇÃO
20/03/2012 at 11:55
Dinamitando pontes: A militância LGBT governista e a homofobia oficial http://goo.gl/IiG4X
20/03/2012 at 12:08
O “mito” Lula acabou por carregar este modelo de tolerância ao limite (ia dizer extremo mas ia soar tosco rs).
Sua eleição é o símbolo de que “podemos ceder pra conquistar alguns outros pontos”. É o paz e amor que virou o pós-rancor. O governismo revisitando a “carta ao povo brasileiro” para nos mostrar que na real o PT não estaria aí se não tivesse dialogado. Só que de tática eleitoral se tornou mote perpétuo para a manutenção da governabilidade, ainda mais quando se tratam de assuntos “periféricos”.
O que Vange e tantos outros não compreenderam é o efeito futuro e a responsabilidade da militância para os usos e abusos de determinados acordos pontuais no presente que extenderão no futuro também.
É o caso do acordo feito por conta do diálogo da Marta para aprovar a tal lei. “foi feito o possível”.
Bom, já vimos que a mesma tática é hoje utilizada pela Direita quando se trata da Anistia… foi assinada uma lei que basicamente impede o julgamento de agentes do Estado. E ainda usam como sustentação a idéia de que foi uma lei acordada entre todos.. e a esquerda aceitou…. pois é José…
20/03/2012 at 12:21
Conrado, depois fui ler seus tuites e vi que comparou com o Lula Paz e Amor também. Rapaz, nem tinha lido! transmimento.
20/03/2012 at 19:33
caro:
insisto no meu ponto.
Uma recusa ao diálogo é considerada [por mim, bien sur] uma posição intolerante ou extremista.
Mas não radical. Radical é quem vai até a raiz do problema, o que me parece admirável.
Homófobos, antiislamicos e antissemitas, militares fascistas não são radicais, são até superficiais. São intolerantes, extremistas e ignorantes.
Entao acho que seu texto confunde extremismo com radicalismo.
Admiro radicais, não tolero intolerantes. de fato, com eles, não há diálogo possivel, voce tem razao.
Sorry. Mesmo assim, valeu.
abs
sgold
21/03/2012 at 03:36
O que me parece estranho eh o tal chico capeta fazer estardalhaço e trollar todo mundo e depois querer debater. Fala serio. Nao debateram com ele no FB porque ele nao eh confiavel. Conversar com ele eh arriscar “perder a face”. Com outros opositores do governo tambem. Nao ha o menor risco de voce mandar eu enfiar esse comentario no cu, me chamar de baleia ou desejar que eu vomite sangue. E eh por isso que eu to escrevendo isso. O caso do FB eh o maior como queriamos comprovar da historia. Acho que assumir a totalidade da identidade ~polemica~ eh o minimo. O contrario de conciliador nao eh rogador de pragas.
Quanto ao movimento gay. O governo dilma tem sido obrigado a se posicionar constantemente em relacao a isso. Me parece que os dois governos anteriores passaram mais ao largo. Acho que o movimento nao deveria assumir essa postura agressiva, por uma questao de estrategia mesmo. O caso do movimento feminista eh tao emblematico. Um movimento que se inicia libertador, emancipador e depois patina em mau humor e antipatia. A imagem do movimento eh fundamental para que os supostos representados queiram dele fazer parte. Homofobia mata. Machismo mata. E ja temos essas questoes que sao suficientemente exaustivas e tristes. Nao acho que devemos ter mao pesada em outras. O envolvimento politico dos homossexuais deixa a desejar. SP nao consegue eleger um deputado e me parece que uma ala do movimento despende energia por qualquer questao, o que dificulta a mobilizaçao. O PL122 por exemplo. A comoçao veio tarde, em cima do engavetamento. Acho que um pouco porque o movimento dispersou com questoes acessorias. Nao porque elas fossem menos importantes. Mas pq eh necessaria uma estrategia de mobilizacao. E ninguem fica mobilizado o tempo todo. Ainda mais quando o apelo eh derrotista. De novo o feminismo. Meu Deus, nao eh possivel querer mobilizar dizendo “perdemos, perdemos e perdemos”. Eu achava que o ponto alto do movimento gay era a agenda positiva. Parece que abandonaram.
O radicalismo/extremismo dos ultimos tempos tem a ver, obviamente, com as posiçoes do governo. Mas acho que nao eh so isso. O movimento gay parece ter se aliado ao movimento ambiental nas criticas a dilma. Nada contra, pelo contrario. As aliancas entre os movimentos sao, na maioria das vezes, bem vindas. Mas o momento de cada um eh distinto. Ha uma tentativa de controlar o avanco do movimento gay, que vinha bastante embalado. O movimento ambiental, ao contrario, esta sofrendo uma grave derrota ja que a presidenta eh assumidamente desenvolvimentista e afirma que vai implementar o modelo que ela acredita. Nao acho que estamos a beira de belo monte no movimento gay. Dai que seria mesmo a hora de dialogar. E consolidar posicoes. A militancia nao esta aflita, as coisas estao acontecendo. Mas isso eh opiniao leiga e baseada exclusivamente na observacao da militancia hiperconectada.
23/03/2012 at 12:08
Ou Capeta, como preferirem
Obrigado à Mary W. por vir aqui comprovar a validade do meu argumento: a GROSSERIA não é o real motivo para se furtarem ao debate. INÚMEROS desses que condenam a “grosseria” de Chico Capeta hoje ADORAVAM a mesma em 2010 quando ela era dirigida à José Serra e seus apoiadores. A própria Vange Leonel está nessa lista, que pode ser engrossada com vários nomes notórios da blogosfera progressista, como Bemvindo Sequeira, Luísa Stern, Maria Frô e vários outros que agora estão “indignados” porque, depois da PROPAGANDA DE OPÇÃO SEXUAL, dona Dilma Rousseff virou o alvo preferencial dessa GROSSERIA que nada mais é que a justa reação indignada de alguém que lutou pela vitória de Dilma Rousseff e se viu vítima de estelionato eleitoral.
Quanto ao Facebook, se o diálogo que eu publiquei prova alguma coisa, é justamente o fato de que respeito as regras das diferentes arenas da Internet, respeitando a relativa privacidade que existe no Facebook e não expondo a pessoa, que ao contrário do que diz Mary W., não respondeu minhas questões porque não tem o que responder e porque se baseia antes na própria relação de amizade com a Vange do que na realidade.
Quanto a “querer que debatam comigo”, não se faça de inocente, Mary W. Tem escrito logo abaixo do meu título do blog “O mensageiro não é importante”, o que, em termos “grosseiros” (pra não perder o costume) significa que eu estou CAGANDO para o que me respondem ou deixam de responder. Até porque sabemos muito bem que o artigo de Vange Leonel não foi direcionado à minha pessoa e sim é a ponta de lança (polida) da campanha de ataques da “militância” LGBT governista contra a militância independente.
Como já disse anteriormente, o artigo de Vange Leonel nada mais é que uma tentativa de culpar a vítima pelos desmandos do opressor, mas com uma sutileza que pode passar despercebida: a culpa é da militância que se “rebela”, a que é submissa ao governo é a que “constrói pontes”. Onde estão essas pontes, ninguém enxerga, mas Vange Leonel tem medo que a “militância rebelde” dinamite essas “pontes” que o governo teria com a “militância construtiva”.
Responder que pontes são essas, ninguém responde. Onde estão esses avanços, ninguém explica. Ninguém demonstra como dizer que combater homofobia é fazer PROPAGANDA DE OPÇÃO SEXUAL é uma “ponte”. Ninguém diz como abandonar o Kit Anti-Homofobia da forma mais covarde por causa de uma prefeitura como o Haddad fez é “construir uma ponte”. Ninguém explica como um ministro da Educação dizer que material didático NÃO AJUDA a combater a homofobia é “construir uma ponte”. Essas perguntas, Mary W., não são só minhas, são de boa parte da militância.
E em nome da manutenção dessas “pontes” a “militância” LGBT governista se dá ao direito de atacar das formas mais covardes os independentes que questionam de uma forma ou outra a inércia e cumplicidade desse governo diante da escalada dos crimes homofóbicos no Brasil. Onde estava a indignação de Mary W. quando chamaram o Jean Wyllys de “deputado de merda” (@aleportoblog) por cobrar de Dilma uma postura contra a homofobia? Aliás, faz tempo que o Jean virou vidraça da “militância” LGBT governista a cada vez que ele cobra qualquer coisa desse governo.
Só que as inúmeras ofensas ao Jean proferidas pela “militância” LGBT governista são apenas a ponta do iceberg do amontoado de ataques que todo militante LGBT que em algum momento ousou questionar o “alegre governo gay-friendly de Dilma” pintado pelos governistas. Nem reclamo por mim porque como a Mary W. já apontou eu dou logo uma patada e sigo adiante. O problema aqui é que a Mary W. prefere ignorar que Vange Leonel nesse artigo arrumou um jeito bem educado de fazer a mesma coisa, culpar a militância que questiona.
Outra coisa: não é a mim que a Vange, o governo e seus defensores devem uma resposta. É a população LGBT do Brasil e a todos aqueles que se indignam com a condição de cidadãos de segunda classe e alvos preferenciais de assassinos a que se sujeita essa população. É àquele garoto gay do Rio Grande do Sul que foi espancado na escola, sob o olhar indiferente dos professores e direção e que divulgou uma carta admitindo impulsos suicidas. É ao mundo, por dizer que faria “defesa intransigente de direitos humanos” e se comportar da maneira oposta. Nos Estados Unidos o presidente Obama colaborou com aquele manifesto It Gets Better. No Brasil, a mensagem que Dilma nos passa por sua omissão e covardia diante dos homofóbicos no Congresso é: VAI PIORAR AINDA.
23/03/2012 at 12:26
Quando Dom Gilbertinho for ter com jesus, Dilma já tem vários nomes pro Ministério do Calma, Gente.
24/03/2012 at 12:43
Fabi, não tenho condição de dizer se é ou não o momento de dialogar com o governo em questões LGBT – não sei se, como diz a Mary, estamos à beira de um Belo Monte do Mov Gay ou não. (Provavelmente não, mas só porque a enormidade de BM é mesmo difícil de ser alcançada.) Então, independentemente do assunto específico que motivou o post, queria te agradecer pelo argumento geral – para alguém com pretensões de psicanalista como eu, é de uma ingenuidade tão grande achar que o diálogo por si só, repetido e insistido e martelado obsessivamente, seja necessariamente a solução para todos os problemas. Como se diálogo fosse sinônimo de democracia. Enfim, obrigada mesmo pelo post. Mais um para dar ctrl+c aqui e ctrl+v na tese!
25/03/2012 at 03:03
Conrado,
suponho que não haja muito o que fazer, senão seguir em frente. A mim também não agrada a associação, quase sempre oportunista, entre radicalismo e violência. Você se lembra da capa da última edição de Veja às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2003, que mostrava um cão de três cabeças (Marx, Lenin e Trotsky) e um rabo demoníaco, com a legenda “O que querem os radicais do PT”? A imagem e o texto se conjugavam para oferecer um exemplo perfeito da representação dominante do indivíduo radical: um ser irracional, uma besta-fera. (Não importa, no caso, se os referidos radicais eram, de fato, radicais.) Tenho certeza de que alguns leitores devem ter interpretado meu escrevinhamento como um elogio da violência. Paciência. Não obstante, que expropriar o sistema financeiro seria uma grande aventura, seria.
Obrigado pela visita e pelo comentário, meu caro! E perdoe a resposta tão atrasada.
Um abraço!
25/03/2012 at 03:27
Concordo que um dos graves problemas do atual governo é a ânsia por dialogar com todos os setores, Diogo, mesmo com aqueles com os quais não há o que dialogar, como os empreendedores do agronegócio. Todavia, neste caso, após a presidenta ter declarado que não pretende vetar o projeto de lei do novo Código Florestal, não resta dúvidas de que não se tratava de uma tentativa de diálogo para se assegurar que os ruralistas cedessem em alguns aspectos – quando a expectativa deveria ser de que cedessem em tudo –, mas de uma comunhão de interesses. Em muitas questões, o problema do atual governo não é a disposição para dialogar com todos os setores – inclusive com aqueles que demandam o intolerável, como a flexibilização dos direitos humanos –, mas a convergência de suas ideias e projetos com os de determinados setores.
Um abraço!
25/03/2012 at 03:45
Sgold,
como o final do seu comentário evidencia, penso que a principal discordância entre nós é terminológica. Como argumentei em nossa conversa no Twitter, um dos significados possíveis de ‘radical’, consignado nos dicionários, é ‘extremado’, ‘extremista’. Não estou confundindo nada, tampouco inventando um novo significado. É justamente com esse significado que a palavra ‘radical’ é utilizada no dia a dia – como demonstra, por exemplo, a capa da última edição de Veja às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2003, que mostrava um cão de três cabeças (Marx, Lenin e Trotsky) e um rabo demoníaco, com a legenda “O que querem os radicais do PT”. Ademais, a palavra ‘radical’, com esse significado, é muito mais frequente do que as palavras ‘extremado’ e ‘extremista’. Devido a esses dois motivos, a utilizei em meu escrevinhamento, porque um dos meus objetivos era criticar esse significado dominante no senso comum. Não defendo nenhuma posição extremista, não estou advogando o recuro à violência, por exemplo, tampouco propugnando pela recusa ao diálogo, mas pelo reconhecimento de que há situações em que não é possível dialogar, porque a outra parte desde o início se recusa a dialogar, muito embora defenda o diálogo, e finge estar dialogando.
Um abraço!
25/03/2012 at 04:35
Mary querida,
antes de tudo, desculpe-me pela demora em responder seu comentário. Costumo ser um tanto lento para responder os comentários.
Tenho uma perspectiva parcialmente diversa da sua em relação aos movimentos feministas e aos movimentos glbt’s. No casos dos primeiros, não consigo ver a postura mau humorada e antipática que você denuncia, a qual, para mim, é a representação dominante dos feminismos em nosso imaginário. No caso dos segundos, não entendi se você está condenando uma atitude agressiva existente ou alertando contra à possibilidade de que uma atitude agressiva seja assumida. Não vejo, atualmente, uma postura agressiva e tampouco sou favorável à sua adoção. Concordo que, lamentavelmente, a população glbt se mostra pouco politizada e seus movimentos parecem precisar rever suas estratégias. Não obstante, os problemas não são apenas esses; afinal, não temos nenhuma garantia de que uma mobilização maior e estratégias mais bem elaboradas teriam impedido as derrotas que ocorreram desde o início do governo Dilma. O que mais me incomoda no posicionamento atual dos movimentos glbt’s brasileiros é a tendência marcante para a vitimização, que destitui gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais da condição de indivíduos detentores de direitos, reduzindo-os a vítimas. Sem dúvida, o avesso de uma agenda positiva, um esforço de sensibilização vulgar, um recurso ao sentimentalismo. (Na contra o apelo à sensibilidade. Penso que há questões que não podem e não devem ser abordadas somente pelo viés da racionalidade. Entretanto, apelo à sensibilidade é distinto de apelo ao sentimentalismo.)
Parece-me que, como os movimentos ambientalistas, os movimentos glbt’s também sofreram uma grande derrota, Mary. Não estou defendendo que gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais abandonem o diálogo, mas que se recusem a dialogar se estiverem participando de um falso diálogo, o que, infelizmente, é o que tem acontecido desde o início do governo. Não houve um diálogo efetivo entre o governo e os movimentos glbt’s, o governo tão-somente fingiu dialogar. Com quem o governo efetivamente dialogou foi com os setores conservadores, principalmente com os representantes do cristianismo fundamentalista.
Fiquei muito contente por ter ver por aqui! Obrigado pela visita!
Um beijo!
25/03/2012 at 04:41
Chico,
não vou responder seu comentário, porque não sou o destinatário. Quero apenas registrar que, em um post publicado no início deste mês, a Mary se posicionou criticamente em relação à blogosfera progressista, incluindo o Alexandre Porto.
Um abraço, meu caro!
25/03/2012 at 04:58
Camila querida,
na verdade, a Mary afirmou o contrário, ela não acha que estejamos à beira de Belo Monte no movimento gay.
Há não muito tempo, eu jamais teria defendido uma posição como a que sustentei neste post, Camila. Eu defendia o diálogo com afinco. Bem, ainda defendo, certamente, mas sem ingenuidades. Corrija-me se estiver equivocado: de nada adiantará para uma pessoa que está fazendo análise dialogar, dialogar e dialogar com seu psicanalista se, a partir de um determinado momento, não tomar a decisão de agir e, efetivamente, agir. Estou certo? Não adianta apena dialogar, é preciso também agir. Há ocasiões em que é preciso sobretudo agir.
Saber que você gosta do que escrevo é uma das grandes satisfações que o blog me proporciona!
Adorei demais me deparar com um comentário seu!
Um beijo!
25/03/2012 at 18:31
Camilo e Camila. eu queria so dizer que ficou parecendo q eu acho q como nao estamos a beira de belo monte nao valeria a pena se juntar aos ambientaleiros. e nossa. nao acho mesmo. meu sonho eh que os movimentos consigam se articular e se apoiar nessas questoes. apenas eu acho q o movimento gay n ia conseguir (ou n conseguira) levantar a militancia nesse momento. e isso nao tem nada a ver com a minha opiniao sobre a necessidade da militancia se levantar. só pra esclarecer isso.
e eu acho q o movimento tem sido agressivo sim. talvez eu esteja pensando no jean e no episodio do pl122. q a proposta dele era tocar fogo, perder e sair denunciando. a postura dele é mais agressiva do q o movimento estava acostumado. e ele eh, obviamente, um representante super legitimo do movimento. embora tambem represente um partido de oposicao sistematica.
chico. eu n acho q o movimento tem grandes pontes com esse governo ou com qq outro. e disse no FB e repito. eu tenho a impressao q a dilma é pessoalmente homofobica. e o PT parece ter medo de ser confundido com o partido que apoia as causas gays. mas o movimento gay nao atua diretamente com o governo. nunca atuou. nao eh assim que funciona. os mecanismos de pressao sao outros. e o camilo falou bem ai em cima. eu tb nao gosto do tom vitimista que vem sendo adotado. por motivos, talvez, diversos ao do camilo. os movimentos sociais nao atuam dentro da politica tradicional porque PERDEM se atuam. veja o que aconteceu com a institucionalizacao do movimento feminista. a secretaria da mulher é uma farsa. e o movimento feminista tem ~pontes~. e mesmo assim tomou um passa fora do legislativo no 8 de março. entao o tom de criticar o governo ao inves de pensar o movimento, nao me agrada e nao me interessa. interessa ao psol e ao jean. nao quero q o movimento endureca com o governo pq ele n tem como ganhar endurecendo. e tb n tem o que ganhar apoiando. enfim. n é por aí. precisamos ocupar outros espaços e vinhamos ocupando esses espaços com sucesso. e a vange é uma militante muito expressiva e muito significativa. como ja falei com o raphael sobre isso no FB do idelber, nao quero me repetir. mas insinuar que a vange esta rifando o movimento para defender o governo é uma leviandade. eu n sei como vc imagina que seriam as pontes com o governo, se existissem. mas me parece ingenuo o seu olhar. se o executivo encampar nossas ideias, tudo estara resolvido.
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