Em uma entrevista recente ao Correio Braziliense, o dramaturgo, diretor e ator Alexandre Ribondi, ao recordar os tempos da ditadura militar, quando, na juventude, foi preso e torturado, evidenciou, com base na própria experiência, a diferença, hoje frequentemente ignorada e turvada, quase sempre deliberadamente, entre o perdão, um ato individual, e o esquecimento, que pode ser tanto um ato individual como coletivo:
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Cheguei a ser preso e torturado em Brasília. [...] Tem pessoas que me olham meio como herói e eu digo: não é heroísmo, era uma contingência da minha geração, que cresceu vendo polícia entrar na sala da universidade para prender colegas, indo nos bares, sentando de mesa em mesa, pedindo documento e levando quem queriam levar. Não tinha muita escolha. Não tinha muita escolha. Você tinha que sair pra luta. E as consequências eram essas: monstruosas, sem nenhuma legalidade, e tortura é sempre tortura. Pensava que teria muita raiva pra sempre dessas pessoas. Não tenho não, tenho muita pena.
Cruzei [com meu torturador], uma vez, aqui em Brasília, em um banco. Fiquei parado, olhando pra ele. Ele não sabia. Perdoo no sentido mais humano possível, sim. Mas esquecer, jamais. Não tenho aquela angústia de querer me vingar.
RIBONDI, Alexandre. “Tesão aos 60”. Entrevista: Mariana Moreira, Sérgio Maggio. Correio Braziliense, Brasília, 14 ago. 2011. Diversão & arte, p. 5. Grifo meu.
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